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Morar sozinha não é uma decisão fácil para a mulher

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A ideia de se estabelecer por conta própria, longe dos olhos da família, ainda é mal vista para as mulheres

Apesar de estarmos em pleno século 21, a decisão para uma mulher jovem morar sozinha ou continuar vivendo na casa dos pais continua sendo cheia de preconceitos e implicações difíceis de serem conciliadas.

Mesmo com a equivalência masculina em diversos setores da vida, a opção por esse caminho, dependendo do motivo, é uma luta difícil contra a imagem de mulher fácil e sem freios.

Morar longe da tutela familiar é, no imaginário de grande parte dos homens brasileiros (e ainda de muitas mulheres), uma brecha para deslizes de comportamento impensáveis para uma “moça de família”.

É evidente que dependendo do motivo, morar sozinha é socialmente explicável e comporta até elogios sobre a coragem e determinação daquela mulher. Como, por exemplo, aquelas que precisam estudar ou trabalhar fora da cidade porque têm um ideal de vida inconciliável com a situação geográfica da família.

Mesmo assim, a preferência nestes casos é por viver junto com um parente próximo, tia, prima, com um casal amigo dos pais ou num pensionato só para moças. Fora isso, quanto mais jovem é a mulher, a ideia de viver afastada do núcleo familiar é sempre colocada em cheque – e, se possível, negada.

O interessante da situação é que, embora feministas como Glória Stein e Billi Jean King venham lutando desde a década de 60 para mudar a percepção do que é poder e ser mulher na sua plenitude, um rastro de preconceito ainda atua e deixa marcas sutis na vida das mulheres contemporâneas.

As garantias da liberdade adquirida para atuar e agir como bem entendem não prevalece sobre os vícios de pensamentos e impressões errôneas a respeito da insensatez feminina para lidar com a sua própria vida.

Porém o que chama a atenção é a também obediência de boa parte das jovens, que por qualquer motivo gostariam de morar sozinhas, mas deixam de fazê-lo em função dos ditames retrógrados e das incômodas certezas sobre o que seria esperado para elas como ideal feminino.

Para muitas, até na hora de escolher o parceiro, morar sozinha pesa contra no ponto de vista da família do rapaz. Isso porque a sugestão de independência excessiva é fonte de desconfianças sobre a tolerância desta para conviver com as futuras implicações de uma vida em família.

Num mundo em que as mulheres acreditam que têm a posse do destino de suas vidas, parece estranho que a simples decisão de morar sozinha seja marcada por preconceito. Mas, infelizmente, isso ainda é verdade.


Avançamos muito desde os anos 60 rumo ao reconhecimento dos direitos da mulher, mas ainda faltam algumas conquistas, dentre elas o mesmo respeito e seriedade com que são vistos os rapazes que decidem morar por si, longe da tutela dos pais.

Para as mulheres que ainda hesitam em entender o quanto foi conquistado, resta a lembrança do esforço e do tempo necessário para mudar pensamentos e posições de uma sociedade. E, nisso, não nos cabe permitir qualquer atitude que faça o feminismo andar para trás.

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kelly ativo 21/10/2009 14:11:05
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Muito bacana a matéria, moro sozinha faz 8 anos e sempre me esbarrei com o preconceito das pessoas, por ser mulher independente e morar só.
Existe muita expeculação dos vizinhos sobre o que eu faço, horários e até mesmo sobre pessoas vão em casa.
E por incrível que pareça o preconceito vem mais da parte de outras mulheres.
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